Hoje, vi uma estrela:
Cabia na palma da mão...
Mas era de uma formosura
Que não contive o coração.
Tinha olhos de quimera
Feitos, embora seus lábios
Fossem seu pior defeito:
Pecado, tormentos vários.
Minha boca era impelida
À sua, e meus esforços
Todos em vão! Nada, nada,
Conseguiu calar a emoção.
Tive que partir, mas ela
Deixou sua marca: o molde
de um sorriso no meu rosto,
feito à faca.
(E agora viajarei noites adentro,
Pensando na estrela que roubou
Os meus pesar e sofrimento...)
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Sem meias palavras,
quebrou-se o encanto:
dissolveu-se no amargor
de amor tanto.
Ouviu-se um grito,
no silêncio,
mas nada foi dito.
Transformado em rancor,
o carinho se perdeu,
e, nas curvas dos sonhos,
nos espaços em branco... eu.
E no final de tudo ainda
restam umas lágrimas, uns
pesares, que de tão carregados
tento reduzi-los a nada.
quebrou-se o encanto:
dissolveu-se no amargor
de amor tanto.
Ouviu-se um grito,
no silêncio,
mas nada foi dito.
Transformado em rancor,
o carinho se perdeu,
e, nas curvas dos sonhos,
nos espaços em branco... eu.
E no final de tudo ainda
restam umas lágrimas, uns
pesares, que de tão carregados
tento reduzi-los a nada.
sábado, 16 de julho de 2011
Ensaio
- Oi.
Eu não sei bem o que dizer, mas eu sinto tua falta – meu Deus, como sinto.
Espero que você não tenha se esquecido de mim. Espero que tuas curvas ainda se lembrem do meu toque e da minha tinta. Espero que meus dedos tenham ficado marcados para sempre em tua forma. E quando a gente menos esperar, vai acontecer tudo novamente. A explosão das estrelas, fúria e tristeza incandescentes, amores proibidos e inconformados.
Eu não sei bem o que dizer, mas eu sinto tua falta – meu Deus, como sinto.
Espero que você não tenha se esquecido de mim. Espero que tuas curvas ainda se lembrem do meu toque e da minha tinta. Espero que meus dedos tenham ficado marcados para sempre em tua forma. E quando a gente menos esperar, vai acontecer tudo novamente. A explosão das estrelas, fúria e tristeza incandescentes, amores proibidos e inconformados.
sábado, 2 de abril de 2011
Despedida em tom de reencontro
Penso que você nunca vai saber. Jamais saberá o quanto foi importante para mim. Porque nem que eu te dissesse, isso não seria possível. É preciso ser eu. Você precisaria ser eu para sentir a sua importância. Mas isso também não seria possível. Porque se você fosse eu, você seria você, e você não tem o mesmo tipo de importância para você próprio como tem para mim.
É preciso inspirar fundo e soltar o ar pela boca. Fechar os olhos, tentar conter o coração pesado, louco para deixar transparecer uma emoção que não se quer demonstrar, faminto pelo vômito de lágrimas enfurecidas, carentes, perdidas. É, o choro. Ele quer vir o mais rápido possível, quer sair pela porta da frente sem dar satisfação a ninguém mas, antes disso, precisa da minha permissão, e essa lhe será negada, porque eu não quero que você sinta pena, não quero que você se sinta culpado, porque você não tem culpa e eu não preciso de piedade alguma. Você nunca pediu para ser importante para mim, nunca. Se eu lhe dei esse posto não foi porque quis, mas porque senti que você merecia e, realmente, você merece. Só que deveria ter lhe dado uma importância diferenciada, um brilho menos apaixonante; deveria ter depositado em você esperanças menos esperançosas, significados menos significantes.
Eu também não quero chorar porque tenho meu orgulho, essa coisinha que nos faz tomar atitudes contraditórias, impensadas. Mas acho que ele é bem encaixado nesse momento. Ele é a luz que guia os meus passos nessa estrada escura e fria. Ele me abastece com seu calor e energia, fazendo-me sentir a vida que me foi tirada assim, de repente, quando você decidiu partir, ou quando eu decidi fazer você partir porque não queria sofrer mais, porque meu coração merecia descansar do sofrimento. O orgulho é a linha tênue que me mantém ligada à vida, porque sem ele eu sentiria apenas a tristeza da sua partida, e acabaria morrendo aos poucos, porque ele me dá um sentido a vida, me dá vontade de lutar, nem que seja para não chorar.
Desculpe por isso. Desculpe por ter lhe atribuído sentimentos indevidos. Desculpe por ter feito minha cabeça oca e louca pensar que isso daria certo, quando eu já sabia, desde o princípio, que nós não teríamos futuro algum. Desculpe, porque você não merece ter o peso da minha infelicidade nas suas costas, e ele tentará te fazer cair, porque mesmo que você não saiba de nada e mesmo que não tenha culpa, ele te perseguirá incansavelmente e isso é imutável. Mas quando ele tentar te fazer cair, eu estarei lá para te ajudar, estenderei minha mão e lutarei contra o monstro mascarado pelas supostas cotidianiedades infelizes da vida.
Porque eu te amo.
É preciso inspirar fundo e soltar o ar pela boca. Fechar os olhos, tentar conter o coração pesado, louco para deixar transparecer uma emoção que não se quer demonstrar, faminto pelo vômito de lágrimas enfurecidas, carentes, perdidas. É, o choro. Ele quer vir o mais rápido possível, quer sair pela porta da frente sem dar satisfação a ninguém mas, antes disso, precisa da minha permissão, e essa lhe será negada, porque eu não quero que você sinta pena, não quero que você se sinta culpado, porque você não tem culpa e eu não preciso de piedade alguma. Você nunca pediu para ser importante para mim, nunca. Se eu lhe dei esse posto não foi porque quis, mas porque senti que você merecia e, realmente, você merece. Só que deveria ter lhe dado uma importância diferenciada, um brilho menos apaixonante; deveria ter depositado em você esperanças menos esperançosas, significados menos significantes.
Eu também não quero chorar porque tenho meu orgulho, essa coisinha que nos faz tomar atitudes contraditórias, impensadas. Mas acho que ele é bem encaixado nesse momento. Ele é a luz que guia os meus passos nessa estrada escura e fria. Ele me abastece com seu calor e energia, fazendo-me sentir a vida que me foi tirada assim, de repente, quando você decidiu partir, ou quando eu decidi fazer você partir porque não queria sofrer mais, porque meu coração merecia descansar do sofrimento. O orgulho é a linha tênue que me mantém ligada à vida, porque sem ele eu sentiria apenas a tristeza da sua partida, e acabaria morrendo aos poucos, porque ele me dá um sentido a vida, me dá vontade de lutar, nem que seja para não chorar.
Desculpe por isso. Desculpe por ter lhe atribuído sentimentos indevidos. Desculpe por ter feito minha cabeça oca e louca pensar que isso daria certo, quando eu já sabia, desde o princípio, que nós não teríamos futuro algum. Desculpe, porque você não merece ter o peso da minha infelicidade nas suas costas, e ele tentará te fazer cair, porque mesmo que você não saiba de nada e mesmo que não tenha culpa, ele te perseguirá incansavelmente e isso é imutável. Mas quando ele tentar te fazer cair, eu estarei lá para te ajudar, estenderei minha mão e lutarei contra o monstro mascarado pelas supostas cotidianiedades infelizes da vida.
Porque eu te amo.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Te amo e não sei seu nome
Quando vi Maria Alice pela primeira vez, ela estava sentada num canto da faculdade. Quieta, com as pernas juntas, apoiando os cotovelos nos joelhos. Ela olhava para baixo, quem sabe para os próprios pés ou para lugar algum. Seu olhar era fixo e sonhador, como se estivesse absorta num mundo interior muito mais interessante ou pelo menos muito mais seguro.
Estava só. Das suas orelhas pendiam fones daqueles que são encaixados no ouvido. Ela abrigava em uma das mãos alguma coisa que eu não podia ver. E suas mãos eram tão finas, seus dedos eram longos e magros, pareciam ser tão macios. Por um momento, desejei senti-los acariciar meus cabelos, meu rosto.
Eu nem ao menos conseguia enxergar suas feições com exatidão. A garota insistia em olhar para baixo, o que me instigava a olhar cada vez mais para ela na tentativa de desvendá-la. Ela me pareceu triste, linda, doce, mesmo permanecendo naquela posição esquisita, da qual não se podia tirar proveito de sua suposta beleza.
Estava sentado num banco. Como Maria Alice, também estava só e mantinha meu olhar fixo. Eu tinha um caderno nas mãos, no qual costumava rascunhar alguns pensamentos, escritos, coisas aleatórias, e um lápis no bolso da calça. Estava ali justamente para procurar alguma inspiração, para tentar escrever algo. Encontrei uma pessoa interessante, mas não consegui escrever uma linha sequer sobre ela. Estava hipnotizado por algum motivo que não conseguia entender. Talvez aquela menina não fosse como todas as outras que também marcavam presença no lugar, ou talvez eu só estivesse ficando louco e desenvolvendo algum tipo de obsessão imediata por uma desconhecida.
Já fazia alguns minutos que estava ali quando Maria Alice levantou o olhar. Aquilo foi um marco na minha vida. Nunca havia visto antes uma mulher com tão singular beleza, com um olhar tão singelo e penetrante e ao mesmo tempo tão acanhado e melancólico. Seus olhos rapidamente encontraram os meus e me senti culpado por estar a encarando insistentemente. Resolvi desviar meu olhar, mas ela desviou o dela antes de mim. Levantei-me e decidi ir embora.
Pensei naquela garota dias e noites. Voltei aquele lugar várias vezes para ver se a encontrava novamente, mas de nada adiantou. Sua imagem permanecia nítida em minha mente e eu podia até imaginar o seu perfume. Maria Alice havia mexido comigo de uma forma intensa e eu nem sabia o porquê, muito menos o seu nome.
Algum tempo depois a encontrei num dos corredores da faculdade e logo a reconheci. Ela estava novamente sozinha. Maria Alice era uma solitária e eu pude notar esse traço de sua personalidade assim que a vi. Não é preciso conhecer a fundo alguém para saber essas coisas. Um solitário sempre reconhece outro solitário. É simples assim. Nós estávamos caminhando em direções contrárias. Uma leve brisa deixou seus cabelos esvoaçantes assim que ela passou por mim e eu pude finalmente sentir seu perfume.
Não pude evitar e acabei olhando para trás na intenção de ver aonde a menina ia. Ela seguiu por um caminho que dava na praça da faculdade, lugar onde a conheci. Maria Alice sentou-se no mesmo lugar de antes e tornou a escutar seu mp3 player. Decidi sentar-me a alguns metros do lado dela.
Assim que me aproximei, ela virou para o outro lado. Pareceu não estar nem um pouco interessada em mim e, ao contrário do que se possa imaginar, meu interesse por ela, com isso, só cresceu. Ela parecia tão altiva, distante, antipática, que me comoveu. Identifiquei-me com aquela figura tão profundamente trancada dentro de si mesma.
Eu só tinha coragem de admirá-la. Por vezes, tentei me aproximar sem proferir palavra alguma pois sabia que tal atitude surtiria algum efeito em nós dois, mesmo que o tal não fosse verbal. Aquilo era algo intimista, algo maior do que as palavras. Aquilo era algo espiritual, químico, físico, abstrato. Eu sentia que ela sentia, mas não sabia se ela sentia que eu sentia.
Eu nunca dirigi-lhe a palavra. Pelo contrário... dirigi-lhe coisas muito mais interessantes , intensas e duradouras. Talvez Maria Alice seja minha alma gêmea, a mulher da minha vida.
Vez ou outra acordo assombrado pelos olhos dela e inebriado por seu perfume. Ela aparece nos meus sonhos constantemente. Maria Alice já estava nos meus sonhos antes mesmo de eu conhecê-la e nem sabe disso.
Maria Alice, Maria Alice... eu queria realmente que ela se chamasse Maria Alice, mas não sei seu nome. Só queria poder chamá-la de alguma coisa e essa coisa se tornou Maria Alice.
P.S.: E eu sei que nos encontraremos num futuro muito próximo.
Estava só. Das suas orelhas pendiam fones daqueles que são encaixados no ouvido. Ela abrigava em uma das mãos alguma coisa que eu não podia ver. E suas mãos eram tão finas, seus dedos eram longos e magros, pareciam ser tão macios. Por um momento, desejei senti-los acariciar meus cabelos, meu rosto.
Eu nem ao menos conseguia enxergar suas feições com exatidão. A garota insistia em olhar para baixo, o que me instigava a olhar cada vez mais para ela na tentativa de desvendá-la. Ela me pareceu triste, linda, doce, mesmo permanecendo naquela posição esquisita, da qual não se podia tirar proveito de sua suposta beleza.
Estava sentado num banco. Como Maria Alice, também estava só e mantinha meu olhar fixo. Eu tinha um caderno nas mãos, no qual costumava rascunhar alguns pensamentos, escritos, coisas aleatórias, e um lápis no bolso da calça. Estava ali justamente para procurar alguma inspiração, para tentar escrever algo. Encontrei uma pessoa interessante, mas não consegui escrever uma linha sequer sobre ela. Estava hipnotizado por algum motivo que não conseguia entender. Talvez aquela menina não fosse como todas as outras que também marcavam presença no lugar, ou talvez eu só estivesse ficando louco e desenvolvendo algum tipo de obsessão imediata por uma desconhecida.
Já fazia alguns minutos que estava ali quando Maria Alice levantou o olhar. Aquilo foi um marco na minha vida. Nunca havia visto antes uma mulher com tão singular beleza, com um olhar tão singelo e penetrante e ao mesmo tempo tão acanhado e melancólico. Seus olhos rapidamente encontraram os meus e me senti culpado por estar a encarando insistentemente. Resolvi desviar meu olhar, mas ela desviou o dela antes de mim. Levantei-me e decidi ir embora.
Pensei naquela garota dias e noites. Voltei aquele lugar várias vezes para ver se a encontrava novamente, mas de nada adiantou. Sua imagem permanecia nítida em minha mente e eu podia até imaginar o seu perfume. Maria Alice havia mexido comigo de uma forma intensa e eu nem sabia o porquê, muito menos o seu nome.
Algum tempo depois a encontrei num dos corredores da faculdade e logo a reconheci. Ela estava novamente sozinha. Maria Alice era uma solitária e eu pude notar esse traço de sua personalidade assim que a vi. Não é preciso conhecer a fundo alguém para saber essas coisas. Um solitário sempre reconhece outro solitário. É simples assim. Nós estávamos caminhando em direções contrárias. Uma leve brisa deixou seus cabelos esvoaçantes assim que ela passou por mim e eu pude finalmente sentir seu perfume.
Não pude evitar e acabei olhando para trás na intenção de ver aonde a menina ia. Ela seguiu por um caminho que dava na praça da faculdade, lugar onde a conheci. Maria Alice sentou-se no mesmo lugar de antes e tornou a escutar seu mp3 player. Decidi sentar-me a alguns metros do lado dela.
Assim que me aproximei, ela virou para o outro lado. Pareceu não estar nem um pouco interessada em mim e, ao contrário do que se possa imaginar, meu interesse por ela, com isso, só cresceu. Ela parecia tão altiva, distante, antipática, que me comoveu. Identifiquei-me com aquela figura tão profundamente trancada dentro de si mesma.
Eu só tinha coragem de admirá-la. Por vezes, tentei me aproximar sem proferir palavra alguma pois sabia que tal atitude surtiria algum efeito em nós dois, mesmo que o tal não fosse verbal. Aquilo era algo intimista, algo maior do que as palavras. Aquilo era algo espiritual, químico, físico, abstrato. Eu sentia que ela sentia, mas não sabia se ela sentia que eu sentia.
Eu nunca dirigi-lhe a palavra. Pelo contrário... dirigi-lhe coisas muito mais interessantes , intensas e duradouras. Talvez Maria Alice seja minha alma gêmea, a mulher da minha vida.
Vez ou outra acordo assombrado pelos olhos dela e inebriado por seu perfume. Ela aparece nos meus sonhos constantemente. Maria Alice já estava nos meus sonhos antes mesmo de eu conhecê-la e nem sabe disso.
Maria Alice, Maria Alice... eu queria realmente que ela se chamasse Maria Alice, mas não sei seu nome. Só queria poder chamá-la de alguma coisa e essa coisa se tornou Maria Alice.
P.S.: E eu sei que nos encontraremos num futuro muito próximo.
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